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14/09/2006 21:10
FACE AO TERRORISMO
Muitas pessoas gostariam de participar de uma discussão moral sobre como deverá o homem haver-se com o terrorismo e a maldade organizada em geral. De um lado vem a idéia de amor e perdão, vigente na alma das pessoas bem formadas. De outro lado existe aquela noção imperativa de que o bem organizado também precisa
de defesa. Analisemos as duas faces. É preciso perdoar sempre,
a nós mesmos, ao ofensor comum e ao próprio inimigo, aqui incluindo os terroristas e seqüestradores. Uma certa senhora americana, mostrada pela televisão, chorava de mágoa e terror diante da tragédia que presenciava em Nova York, na última terça-feira. Ao falar pelo microfone, conclamou o governo de seu país
a não machucar os terroristas, a tratá-los com amor, pois os coitados não passavam de pobres ignorantes.
Como é que a gente recebe uma fala desta?
Como é que se aplica o amor?
Como iremos conviver com uma realidade assim?
Nosso senso comum de seguridade pessoal clama por uma resposta.
E nosso conhecimento de ética nos informa que precisamos modificar educando. É certo que não se pode deixar passar sem providência. Imaginemos o resultado final de uma ação aplicada: segundo desejamos, quando tivermos terminado nossas ações defensivas
e reparadoras, usando métodos idealmente educativos,
os agressores terão deixado de sê-lo, estarão plenamente integrados na sociedade, respeitando os direitos alheios com natural continuidade. Isto é o ideal e decorre da aplicação
do amor.
A pergunta, agora, é: tem jeito de fazer isso, na atualidade,
com os terroristas e malfeitores do mundo inteiro?
Se tivesse, não há duvida de que a solução estava encontrada.
Mas, não tem. Ninguém conseguirá educar os terroristas, não enxergamos um jeito de alguém conseguir isto, ainda que o mundo todo se empenhasse.
Não a curto prazo.
Nós não educamos, corretamente, nem a nossos filhos,
quanto mais aos terroristas.
Assim, não adianta ficar clamando, hipocritamente,
que precisamos agir com condescendência.
Mas, tem outra questão: uma retaliação penosa aos adversários, quando forem identificados, será levada com qual finalidade, considerando que a punição não é educativa?
Qual o objetivo de machucar o homem que nos machucou?
A resposta que ocorre é amarga e perversa: o objetivo é vingar,
é fazer o outro provar o remédio doloroso que nos ministrou.
Não vamos dizer que é para ele aprender, porque a vingança assusta, mas não ensina.
Colocando-nos na posição do governo americano, como deveríamos agir?
Se retaliarmos seremos criticados pelo mundo todo, como maus
e inferiores.
Se não retaliarmos, seremos tidos como medrosos e fracos
e ainda atrairemos todos os outros terroristas de plantão
para virem jogar nossos aviões de passageiros contra os nossos prédios.
Então, como fazer?
A resposta a isso é de cada uma.
Vamos fazer somente aquilo que nossa realidade permite.
Reservar-nos-emos o direito de avaliar as ações quando
elas forem feitas.
Mas, qualquer que sejam, sempre haverá gente pensando
que deveriam ter sido de outro modo.
O mundo está discutindo o problema do terrorismo internacional. Pela imprensa as pessoas se levantam para gritar sugestões de procedimento resolutivo.
O que eu ainda não vi foi alguém ensinar algo sobre a resolução real do problema. É preciso perguntar porque o terrorismo surgiu
e está vigindo.
Se não descobrirmos isto não o erradicaremos.
Vamos supor, só para argumentar pictoricamente,
que no mundo todo existissem 168.497 terroristas.
As nações, irmanadas pela dor, se dariam as mãos para procurá-los e detê-los todos.
Agora, diante de um tribunal multinacional, fossem julgados e condenados à morte e, solenemente executados.
Poderia o mundo dormir tranqüilo e despreocupado doravante? Evidentemente que não.
Outros terroristas logo surgiriam.
A causa que deu origem ao desatino continuou viva e atuante. Logo, logo surgiriam outros e mais audaciosos ainda.
Não adianta a um médico tratar do pé de um paciente que tem um prego dentro do sapato.
Quando é que a humanidade vai aprender que curar os sintomas não faz a doença desaparecer?
Estive pensando se não chegou a hora de a humanidade se juntar para compor uma comissão de alto nível com a finalidade de pensar numa série de medidas capazes de resolver o problema, mas resolver mesmo. Ela estudaria as causas profundas, aquelas que estão na raiz, nas entranhas da intimidade. O que é que poderia ser encontrado ? Talvez não um, mas dezenas de fatores causais. Dentre estes poderíamos pensar, assim, imediatamente, os grandes bolsões mundiais de miséria; a tremenda desigualdade social; a enorme exploração dos pobres pelos ricos; o aviltante escoamento de riqueza dos países pobres para as nações ricas (o Brasil já pagou a sua dívida externa várias vezes e, no entanto, continua devendo muito mais do que tomou emprestado, por causa dos juros); a negação dos países ricos em combater a poluição; o bloqueio dos países ricos contra toda sorte de investigação científica que aposente o uso do petróleo; a volúpia das grandes nações de serem, perpetuamente, admiradas como grandes. E há, naturalmente, muitos outros fatores. Acrescente-se a isto a existência de povos que cultivam crenças religiosas radicais, fanáticas, ensinando a seus fiéis que não pode haver nada mais honroso e mais divino do que dar a própria vida pelo bem de suas causas; ensinam também que os países ricos são os inimigos que precisam ser destruídos. E os ricos vão pagar a conta porque não tiveram a grandeza de combater internamente aqueles fatores realmente detestáveis. Se este raciocínio for verdadeiro, como é que nós, expectadores apreensivos à distância, nos sentiremos ? Consola-nos que, tomando consciência de um rumo, adotando, só para nós, uma diretriz benevolente, poderemos, um pouco que seja, sossegar o nosso ímpeto, diluir a nossa indignação.
Rodrigues Ferreira
Terapeuta Holístico
- 18/9/01
...este post vem do comentário deixado aqui no SC pelo
meu lindo André Luis,
do blog http://espirita_aeluz.blig.com.br
e é claro que mereceu estar estar aqui pela riqueza
de reflexão do Prof. Rodrigues.
leiam, vale a pena.
enviada por Vivian
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